domingo, 6 de abril de 2008

Grandes Negócios #4

Tesouras cirurgicas, 80. Porto Salvo, Oeiras
(há quem as traga dos restaurantes, outros trazem dos hospitais)

sábado, 5 de abril de 2008

Crítica Mon cherri

Definição (abreviada) de crítica na wikipédia:
Em jornalismo, crítica é uma função de comentário sobre determinado tema, geralmente da esfera artística ou cultural, com o propósito de informar o leitor sob uma perspectiva não só descritiva, mas também de avaliação.
A crítica é feita pelo crítico, jornalista ou profissional especializado da área, que entra em contato com o produto a ser criticado e redige matérias ou artigos apresentando uma valoração do objeto analisado. Em geral, o crítico não pode apresentar uma avaliação puramente subjetiva, mas também deve apresentar descrição de aspectos objetivos que dêem sustentação a seus argumentos.
O tipo mais comum de crítica é a Crítica Cultural, embora a rigor haja também críticas a todo tipo de produto ou serviço disponibilizado ao público
Bem, lá fiquei eu a saber mais umas coisitas, e vou aplicar já os meus conhecimentos. Primeiro, quem escreveu esta definição ainda não tinha conhecimento do acordo ortográfico (estão a ver, eu a fazer uma crítica mon cherri, hein, hein?). Segundo, a crítica é feita pelo crítico (uau!!!), jornalista ou professor especializado. Mas que raio de discriminação é esta? Crítica é feita por quem a quiser fazer, só que há uns que recebem quando a fazem, outros que não recebem quando as fazem e ainda os que recebem por não a fazerem. Terceiro, em geral, o crítico não pode apresentar uma avaliação puramente subjectiva, e deve apresentar descrição de aspectos objectivos que dêem sustentação aos seus argumentos. Aqui começo a desconfiar que quem escreveu isto não era definitivamente português. Era só o que faltava termos de fazer críticas objectivas! Mais de 99% dos nossos críticos (de politica, de futebol, de bifanas e couratos, etc) iam automaticamente para o desemprego se isto fosse verdade. Quarto, e por ultimo, o tipo mais comum de crítica é a crítica cultural. Lamento, mas acho que vou ter de escrever para a wikipédia, e avisá-los de que estão a cometer uma grande injustiça. O tipo mais comum de crítica é a crítica “mon cherri”, que herdou o nome de uns populares chocolates, os mais vendidos em todo o mundo, e um dos mas vendidos em Serrabulhos de Baixo. E porquê mon cherri? Porque é a crítica do “critico porque me apetece”. E à pergunta mas porquê, vem a invariável resposta “porque me apetece, phone-ix”. Quando o crítico diz “apetece-me algo”, e o mordomo diz “posso ajudá-lo”, o crítico afirma “apetecia-me criticar assim umas coisas, sem razão aparente, nem justificação objectiva, apenas para chatear alguém…”. Vá, sejamos realistas, não é preciso mordomo para nós, portugueses, criticarmos qualquer coisa. O que vale é que nós só criticamos por dois motivos, por tudo e por nada. E temos sempre os argumentos mais sólidos para o fazer. Há pessoas que ainda dividem a crítica em crítica construtiva e critica destrutiva. Na crítica destrutiva englobam as criticas mon-cherri e as outras.. aquelas.. deixa ver… hum… bem, acho que é mesmo só as críticas mon cherri. Na crítica construtiva englobam as críticas que para além de dizerem mal de alguma coisa, ainda dão a sugestão de melhoria. Meus amigos, não lhes chamem crítica construtiva. Já não basta dizerem mal das coisas, ainda têm de mostrar à outra pessoa que se estivessem no lugar dela tinham feito muito melhor, passando-lhe um atestado de estupidez e incompetência ainda maior, reforçando a ideia de que a pessoa tem um cérebro do tamanho de uma amiba? Estas sim, é que são as críticas destrutivas. Bem, depois deste palavreado todo, aguardo as vossas críticas mon cherri (e se quiserem, podem oferecer os chocolates, que eu terei todo o gosto em devorar como não houvesse amanhã).

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Abusador hipnotista: Julgamento adiado

Ora, não me lixem, é facilmente compreensível porque o juíz adiou o julgamento. Ficou com medo de ser hipnotisado, e dar a absolvição ao meliante, ou de ficar em cuecas no tribunal, ou contar porque é que quando vem a Lisboa, um dos locais favoritos para passear é o Parque Eduardo Sétimo. Enfim, podia estar aqui a discorrer sobre os medos do juíz, dos assistentes administrativos, dos advogados de defesa e acusação, mas não é muito interessante (nem posso divulgar, segredo profissional). O interessante foi a forma que encontraram de lidar com a situação ( e daí o adiamento). Segundo leram na revista Hipnotismo e Saltos Altos (sai todas as terças feiras pares do mês, ouvi dizer), a maneira mais eficaz é colocar de molho duas peças de roupa interior usadas durante 15 dias seguidos, e usá-las no dia do julgamento, em conjunto com dois dentinhos de alho e salsa (nunca percebi esta segunda parte, parece-me mais uma receita, e deve ser desconfortável de usar, mas enfim... coisas de ciencias ocultas).
Segundo consta, antes de partir para estes preparos mais radicais, solicitaram ajuda ao Mago Alexandrino (sim, esse mesmo que para além de hipnotizar as pessoas de uma forma brilhante, ainda tem esculturas de falos feitos em mármore onde vive). O mago Alexandrino tem sido muito prejudicado nos ultimos tempos, pois foi-lhe surrupiada uma colecção inteira de falos, que este estava a preparar para vender ao Joe Berardo - inclusivamente havia um falo em forma de zé-povinho a dizer fu** you - e ainda não conseguiu descobrir quem foi. Embora tenha algumas suspeitas, pois nos chás das 4:30 em Cascais, as tias passaram a vir muito mais sorridentes, e até comentam já a estátua do Cutileiro em Lisboa, mencionando que gostavam de uma daquelas em versão compacta. Esta solução de compromisso não foi avante porque o grande Mago pretendia hipnotizar toda a sala, e fazer um julgamento fantoche, mas a defesa meteu uma providência cautelar.
Adiante. Em conversa com o mago Alexandrino, este revelou alguns dos truques que usa. O maior segredo do hipnotismo está em olhar fixamente nos olhos da vítima, o que leva a uma escolha criteriosa da mesma. Estão excluídos à partida estrábicos e cegos, pois são muito complicados de hipnotisar. O Luis de Matos que o diga, que já tentou efectuar essa proeza sem sucesso (claro que nunca o revelou publicamente, após 4 anos de tentativas, para não manchar o seu bom nome. Acabou por decidir fazer desaparecer o Durão Barroso, e faze-lo aparecer em Bruxelas, tendo sido aplaudido por muitos milhares de portugueses). Há quem use algum tipo de objecto para distrair os hipnotisados, enquanto lhes entram na mente e não só (ver Sócrates, por exemplo, e os 3% de défice, ou o Taveira, com os seus quadros na parede, pendurados estrategicamente por cima do sofá) O local escolhido também é muito importante, pois deve ser efectuado num local tranquilo, como o mercado do Bulhão à quinta feira de manhã, quando chega o peixe da lota. O hipnotisado deve ficar assim num estado de sugestão, que permita ao hipnotizador lhe dizer o que ele deve fazer ou pensar.
Ainda segundo a noticia, o alegado abusador terá sugerido à vítima que se imaginasse numa praia com um rapaz de que gostasse e aproveitou o estado hipnótico para a prática de acto sexual, diz o relatório do Ministério Público. Segundo a acusação, a jovem só percebeu o que lhe aconteceu - e que viria a ser comprovado em testes médico-legais - quando o arguido lhe disse que era casado e que iria deixar a esposa. Ora está à vista o motivo pelo qual a jovem decidiu processar o hipnotizador. Uma coisa é, bem, divertirem-se algumas vezes. Outra coisa é virem-lhe dizer que quer deixar a esposa para ficar com ela. Quem é que lhe disse que ela queria compromissos?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Os descascadores de batata

Hoje enquanto andava distraído, descobri por acaso um negócio em expansão no território português. A venda de descascadores de batatas. Fiquei espantado. Existe um mercado muito desenvolvido, e consumidores mais ou menos bem informados sobre os descascadores de batatas. A variedade do produto espantou-me. Vai desde os descascadores de batatas que existem nas prateleiras das superfícies comerciais, até aos descascadores de batatas de milhares de euros, que para além de descascar as batatas têm uma panóplia de funcionalidades tal que existem consumidores a pagar balurdios por ele (funcionalidades como descascar as batatas, cortá-las em fatias fininhas, fritá-las, e dar-lhes moldes estranhos, besuntando-as depois com um molho que ainda não consegui identificar).
Os modelos mais baratos como é obvio são os que dão mais chatices. Têm funcionalidades reduzidas, e muitas vezes os consumidores ficam bastante insatisfeitos, acabando-os por trocar por outros com mais capacidades. Há empresas que quase oferecem os descascadores de batatas (FreeDescasca, UltraDescasca), para depois cobrar na assistência aos mesmos, já que dão quase sempre chatices. Como são baratos, os utilizadores acabam por descascar as batatas à mão.
Há os descascadores de batatas de gama altíssima e alta. Estes são comprados por consumidores que compram não só as funcionalidades intrinsecas dos produtos (neste caso o descascar de batatas). Neste segmento os consumidores compram pelo preço (quanto mais caro melhor, para fazer inveja aos vizinhos), pelo passa-palavra (se aquele caramelo tem um raio de descascador de batatas de 10000 euros, vou comprar um de 20000 euros.. quem pensa aquele gajo que é??), e pela segurança ( se é um descascador de batatas Descasca2008, acabado de lançar pela empresa mundial MicroDescasca, então nunca vou ter chatices, pois este produto está instalado nas maiores empresas de refeições do mundo). Há um modelo BAT que embora digam que é dos melhores, é necessário configurá-lo à medida, e a manutenção é muito cara, embora seja adaptável a qualquer tipo de batata. O mais giro disto, é que normalmente quem compra estes descascadores não os utiliza. Manda os outros utilizá-los. E quem os utiliza não gosta deles, nunca teve nenhuma palavra ao escolhé-los, dizem que são muito complexos, e acabam por vezes a descascar as batatas à mão.
Existem depois os de gama média, que para além de descascar batatas têm algumas funcionalidades já desenvolvidas, como gratinar as batatas, entre outras. É neste segmento que a concorrência é mais agressiva, degladiando-se pelos clientes, e fazendo grandes comparações sobre os seus produtos. Neste segmento nem sempre a luta é igual. Existem descascadores de batatas bastante rápidos e fiáveis, que permitem despachar as batatas num instante, independentemente da quantidade de batatas (DescascaSMOOTH). Existem outros que não descascam batatas muito rápido, mas que até têm um marketing muito agressivo, e fartam-se de vender, pois iludem as pessoas com essa informação, e depois do descascador comprado, como é caro, não trocam facilmente (TurboDescasca e TioDescascaV7). Há pessoas indecisas que andam sempre a trocar de descascador, e voltam ao mesmo, pois depois de experimentarem todos os outros, acabam por ver qual é efectivamente o melhor a nivel de relação qualidade / preço. Enfim, agora podia ficar aqui dias a discorrer sobre os descascadores de batatas. Mas o mais interessante é como são vendidos. Existem tácticas das mais diversas. Alguns quase que perseguem os clientes, com campanhas agressivas, de troca de descascadores, de descontos brutais, e que onde ganham é depois na manutenção dos descascadores (nunca pensei, mas existem as lâminas que têm de ser trocadas periodicamente, existem componentes de desgaste rápido, para além de terem de ir à inspecção da ASAE todos os anos). Outros, para comprar um descascador de batatas, quase que é preciso pedir de joelhos para lhos vender. Telefona-se para lá, pede-se uma demonstração e demora uma eternidade. Quando depois conseguimos ver o aparelhómeto e dizemos que é exactamente aquilo que eles querem, fazem-nos mais perguntas sobre as necessidades especificas de descascar batatas, se descascamos muitas ou pouco batatas, se é para um utilizador ou mais, ou seja tantas perguntas que quase que desistimos de comprar. Compramos porque é mesmo bom. Há alguns vendedores que receiam fazer a demonstração dos descascadores ao vivo, não vá terem algum acidente com as batatas, que fazem as demonstrações em powerpoint, dizendo que o descascador vai fazer aquilo que o cliente quer, sendo desenhado à medida. Estes são os mais falaciosos e os mais caros. Com a promessa do nome, os clientes são enganados, e muitas vezes após algum tempo e milhares de euros, trocam-nos pelos da gama média.
Eu ainda ando indeciso. Ando a ver os descascadores. Depois de o comprar, só falta depois comprar as batatas para descascar. Logo eu que gosto de batatas com casca. Maldito consumismo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

1 de Abril

Todos os anos, cada vez que chega este dia, fico pasmado. Sério. Os portugueses, que passam todo o ano a criticar os politicos por estes faltarem às promessas, mentirem, ludribiarem os outros, tornam-se iguais ou melhores de que muitos politicos. É ver quem arranja a melhor mentira, a melhor desculpa para contar ao amigo, ao vizinho, ao país inteiro. E obviamente alguns politicos até ficam envergonhados, com a criatividade de alguns dos seus condidadãos...
Sei de fonte segura que os politicos nestes dias vingam-se dos eleitores. Fazem reuniões secretas, comicios, grandes apresentações, marcam congressos extraordinários, visitam todo o povinho. Por vingança dizem algumas verdades. E ficam todos satisfeitos. O povo adora e ri-se com expressões "epá, estes gajos são mesmo bons a inventar". E se as coisas correm mal, têm sempre a melhor das desculpas. "O quê, não me diga... Então não sabe em que dia é que disse isso?" Houve um partido que inclusive tentou que este dia fosse um feriado nacional, mas esta sugestão foi chumbada pela classe política, por entender que era injusto que os cidadãos que trabalham deixassem de trabalhar para descansar e inventar, quando eles têm de o fazer todos os dias, sendo pagos para isso. E existia sempre o perigo de acabarem por ser tão bons nisso, que iriam abraçar a carreira política, o que obviamente geraria concorrência acrescida nos jobs for the bois, perdão boys. Sim, decididamente em vez de lhe chamarem dia 1 de Abril, dia das mentiras, deviam-lhe chamar 1 de Abril, dia dos politicos. Sempre prestavam uma homenagem aos melhores humoristas portugueses (embora involuntários), que por vezes quando abandonam a vida politica têm lugar garantido (e com um sucesso estrondoso) em espectáculos de stand-up comedy.